terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Sobre a minha geração

  
Sou da geração de 90, e tenho orgulho em dizê-lo.

A vocês, que também o são, quantas vezes já vos disseram que somos uma geração perdida? Quantas vezes vocês próprios pensaram isso mesmo? Tantas e tantas vezes que nos disseram que somos inúteis e que nada de novo trazemos ao mundo. Quantas vezes ouviram a típica frase "na minha altura é que era bom"? 

Somos uma geração de transição. As coisas deixaram de ser o que e como eram. O real passou a virtual, os livros passaram a ecrãs. As coisas mudam. Tudo pode mudar. 

Tudo é assim. A vida está em constante mudança e os vencedores deste "jogo" são aqueles que, ao serem capazes de se adaptar, vingam na vida e no trabalho. A adaptação é um dos grandes trunfos, uma das grandes chaves.

Desenganem-se se, tal como a maioria, pensam que somos uma geração perdida. Desenganem-se! Mesmo. 

A nossa geração trouxe aspetos negativos, que nas gerações passadas não existiam, é certo. Mas também é certo que nenhuma outra geração fora perfeita. Houve sempre aspetos bons, e aspetos menos bons. E assim é também a nossa. Pena que olhem maioritariamente para o negativo. Dêem atenção ao que de bom temos, ao que de bom trouxemos, e às possibilidades que se criaram. Por favor, ponham os olhos nas coisas boas que esta geração trouxe consigo. Ponham os olhos nos empreendedores, nos criativos, nos inovadores e até mesmo nos atrevidos. 

Somos uma geração cheia de sonhos, uma geração cheia de imaginação e criatividade. Somos os inovadores e os apaixonados pelo novo e pelo recente. Adoramos atualizações e queremos sempre mais. Gostamos da mudança e é por ela que nos movemos. Queremos, e fazemos por conseguir. 

Sim, também há quem não se mexa. E esses, claro, "estão à rasca". Contudo, se há coisa que grande parte da minha geração já sabe é que, se queremos, temos de nos mexer. Pena que nem todos estejam dispostos ou com vontade de o fazer! Porque, digam o que disserem, hoje em dia, quem se mexe, quem "mete mãos à obra", quem se esforça e trabalha (trabalho árduo, nada de mãos beijadas), consegue atingir os objetivos e as metas que traçou (salvo raras exceções). 

Acima de tudo, somos o futuro e a rampa de lançamento para um futuro ainda mais longínquo. Queremos ser o exemplo. Queremos ser a mudança, claro, positiva. Queremos contribuir para a evolução, e não para a destruição. Queremos reverter os problemas que as gerações passadas nos deixaram de herança. Queremos que a geração seguinte continue um trabalho que nós desenvolvemos, e que saiba como o fazer. Queremos passar valores, porque esses, por mais que não pareça, continuam a existir e a ser respeitados. 

Não queremos que o essencial passe a acessório. Pelo contrário. Não queremos desiludir e queremos vingar no mundo. Não queremos ser os "perdidos" ou a "geração rasca" como tantos nos quiseram carimbar. Não queremos ser a geração desinteressada (imagem que muitos tentam passar). Não queremos ser a geração que só tem duas saídas: a saída de Portugal ou o desemprego. Não queremos ser os perdidos. Não queremos ser os coitadinhos.

Por enquanto somos apenas jovens. Jovens que lutam pelo futuro (o próprio e o da humanidade), e que sonham. 

Por enquanto, somos os sonhadores. Ainda pouco (apesar de muito) realizámos. Mas temos tempo. Estamos no bom caminho. Talvez, no futuro, nos chamem de concretizadores.  
 

4 comentários:

  1. Gostei tanto do teu texto! Estou cansada de ouvir que somos preguiçosos, que não queremos trabalhar, quando a maioria apenas não quer ser explorada. Estamos à rasca, mas não somos rascas.

    Só por este texto, vou já seguir o teu blog :)

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    1. É isso mesmo! Somos uma geração talentosa e capaz de muito, só é pena que ainda sejam poucos aqueles que veem isso.

      Muito obrigada!

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  2. Adorei simplesmente este texto ! Guardei-o e tudo para voltar a lê-lo :)

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    1. Oh, muito obrigada! Mesmo! É bom receber comentários assim.
      Beijinhos :)

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