terça-feira, 8 de março de 2016

Sou Mulher




Porque é que temos de ser nós as donas de casa, as que vão pôr e buscar o filho à escola, as que fazem as compras e as refeições em casa? Porque é que temos de ser nós a lavar loiça, tratar da roupa e organizar a casa? Porque é que temos de ser nós as mais frágeis e as submissas? Porque é que temos de ser nós a estar em baixo? Basta! Não temos! 

Temos de ser aquilo que queremos, fazer aquilo de que gostamos, seguir o que desejamos, estar onde bem nos apetecer e fazer aquilo que mais nos torne realizadas! Somos seres humanos, como eles! Temos desejos, vontades, objetivos. Não tenho de me contentar com um cargo de empregada quando tenho a mesma capacidade que um homem para ser patroa! Não têm de ser maioritariamente as mulheres a seguir enfermagem e os homens medicina. Não tem de haver o típico “as mulheres são as melhores cozinheiras”, mas na prática haver mais chef’s porque tiveram mais capacidade de estudar e chegar a isso. Não temos de ficar a ver os debates no parlamento, através da televisão, em casa, quando podemos ser, tal como eles, elementos participantes. Não pode haver tantas e tantas mulheres nas universidades, mais até que homens, e na prática os homens chegarem mais longe! “Atrás de um grande homem” não tem de “estar uma grande mulher”! Têm de estar lado a lado! 

Queremos igualdade, queremos respeito, queremos oportunidades! Há anos atrás tivemos exemplos de mulheres guerreiras, corajosas, que enfrentaram os obstáculos que impunham ao sexo feminino. E é graças a essas mulheres que hoje posso estar a escrever o que penso, é graças a elas que não sou propriedade de ninguém nem me casei precocemente. É graças a elas que hoje posso estudar, tirar um curso, e ter um emprego. É graças a elas que posso chegar aos 18 anos e, tal como os homens, votar. É graças a elas que a minha vida não se limita a determinadas obrigações, a quatro paredes e a um lar para cuidar ou um homem a quem respeitar. É graças a elas que hoje me sinto mais livre, e é por elas e por todas as mulheres que querem mais – porque o merecem – que sinto a necessidade de falar e continuar uma luta que ainda hoje, em pleno século XXI, 2016, não está terminada. Essas mulheres, com muito mais restrições, conseguiram grandes feitos. E é por isso que sinto que nós temos de conseguir também. 

A batalha não acabou e ainda temos caminho à nossa frente. Não queremos apenas flores, homenagens num dia marcado, não queremos vestidinhos de princesas ou uma vassoura e um fogão para aprender as lides domésticas. Queremos respeito, queremos igualdade, queremos justiça. Temos direito a ser respeitadas, valorizadas, amadas e, acima de tudo, direito a viver a nossa vida. E que ninguém nos tire isso! 

Nascemos, tal como TODOS, para sermos independentes, para primeiro que tudo gostarmos de nós próprias, e só depois dos outros, para nos amarmos, para nos sentirmos realizadas, para lutarmos pelos nossos desejos e pelas nossas vontades. Não nascemos para ser vistas como objetos, para ligarem a palavra "mulher" a um corpo ou a uma utilidade. Que se deixem as futilidades para trás. Nasci para viver a minha vida, e para me sentir orgulhosa dela, ter liberdade para isso!

Que sejamos tudo aquilo que uma mulher deve ser, que sejamos aquilo que somos e como somos, e que, principalmente, não nos esqueçamos que temos direitos! 

Sou mulher e tenho orgulho! Por tudo aquilo que sou, e por tudo aquilo que sei que posso ser. Todas podemos!

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