domingo, 14 de agosto de 2016

Discutir


Dói tanto. Custa tanto discutir com quem amamos. Custa mais ainda por, depois da discussão, sabermos que vai tudo ficar bem, novamente. Para quê, então, aquela troca de palavras indesejadas?! Para quê, então, aqueles minutos de choro e frases tremidas?! São minutos perdidos, de felicidade que foi posta de parte. São minutos de trocas daquilo que não sentimos, minutos em que a cabeça está a quente e o sangue à flor da pele. Minutos em que a voz treme, o coração acelera, e as palavras indesejadas saem sem darmos conta.

São discussões por motivos mais ou menos parvos, em que não se pensa, não se raciocina. Nem se processa aquilo que está a ser dito, quase à velocidade da luz. 

As palavras saem sem darmos conta, ao ritmo dos batimentos cardíacos. Declamamos quase um dicionário inteiro de palavras que não desejámos dizer, em menos minutos do que achávamos ser possível. Dizemos o que não pensamos e o que não sentimos. Naqueles minutos descobrimos também o nosso poder de argumentação, ou até mesmo a nossa capacidade de declamar tantas frases seguidas. 

Mas depois apercebemo-nos... apercebemo-nos que, além de não nos lembrarmos de metade do que foi dito naquele espaço de tempo, a outra metade do que dissemos foram coisas indesejadas, ou era escusado ter sido dito. Porque as palavras magoam, mais ainda ditas a quente.

Daí a necessidade de evitar as discussões, para não criar danos ou futuras lesões. Porque a soma das palavras indesejadas vai criando mossa, e fissuras. E a discussão em si, os nervos à flor da pele, o disparo de frases mal pensadas, também machuca. A nós próprios, e a quem ouve. 

Descargas de energias assim devem ser evitadas, para que não nos tragam ainda mais cargas negativas e dores de cabeça.

Não devemos deixar que raiva, medo, ciúmes ou inseguranças abalem as nossas relações, ou criem motivos para uma nova discussão, que só nos trará problemas e nervos.

Sem comentários:

Enviar um comentário