Ontem não escrevi. Pensei em fazê-lo mas, não sei bem porquê, acabou por me passar ao lado.
Também, de pouco importa. O ano passado, 2015, prometi a mim mesma, no início, que todos os dias do ano iria escrever uma página, sobre o meu dia, sobre mim, sobre o que quisesse. Mas iria escrever, a cada dia que passasse. Em papel. Pouco tempo durou essa promessa. Chegou uma altura em que deixei de escrever.
Este ano não prometi nada, mas tive a vontade de voltar a escrever. Como tal, neste jogo não vai haver qualquer regra. Sempre que sentir necessidade, escreverei. Mas, escrever todos os dias, não será obrigação.
Como a minha mãe costuma dizer, quando fazemos as coisas por gosto, porque temos vontade de as fazer, acaba por ser mais fácil. E é o melhor caminho a seguir. Fazer porque gostamos, e não porque devemos.
E escrever faz-me bem. E faz-me falta. Ajuda-me a perceber-me, e a "deitar cá pra fora" tudo o que não está bem (ou está menos bem). No fundo, o que se vai passado, e as coisas que me incomodam.
São 21h40 neste momento. Ele já foi dormir. Eu acabei de jantar, hoje estou um bocado atrasada hoje.
Não sei bem porquê mas estes dias têm sido estranhos. Tenho-me sentido a levar com "baldes de água fria" todos os dias. Todos esses baldes, atirados de maneiras diferentes. Todos os dias têm sido uma experiência, uma lição.
Hoje, sinto que às vezes tudo fica do avesso. Sinto que, por vezes, quando tentamos fazer as melhores coisas, quando tentamos fazer bem, é quando fazemos pior. Fica tudo de pernas para o ar e nós não percebemos bem o porquê. Sabem a sensação de querer agradar alguém? De querer que a pessoa goste, que a pessoa se sinta bem, que a pessoa esteja bem? Pois. Nem sempre isso corre bem. Talvez o melhor seja deixar andar. Não querermos tanto. Parece que, quando descontraímos, até é quando as coisas correm melhor.
O dia de hoje foi cinzento, como, aliás, têm sido todos. Mas hoje juntou-se a isso um cansaço. Não só físico. Acho que estou estafada. A precisar de férias. Outra vez, sim. Mas fora daqui. Só levava uma pessoa.
Disse no início que não havia promessas nem obrigações em relação a este blog ou em relação àquilo que escrevo. E não há, é certo. Mas a verdade é que queria fazer disto alguma coisa. Algo. Não sei bem o quê, sinceramente. Mas algo útil.
Talvez tenha tentado encontrar aqui "o meu esconderijo". Não que tenha algo a esconder. Pelo contrário. Porque quero partilhar. Mas não com o público que me conhece. Aqui sinto-me à vontade, e sinto que faço aquilo que gosto, assim como aquilo que quero. Não há restrições. Ponho aqui tudo o que me apetecer. Pensei em não falar deste blog a ninguém. Mas falei-lhe a ele. Acabo sempre por lhe contar tudo. Falei-lhe do blog, mas não lho mostrei. Talvez por vergonha, não sei. Talvez por insegurança. Aqui exponho-me tal como sou. Sem restrições. Escrevo o que quero, como quero, às horas que quero, acerca do que me apetecer.
Talvez seja "estúpido" pensar assim, mas tenho algum receio e alguma vergonha de mostrar aquilo que faço aos outros. Principalmente àqueles de quem gosto. Muitas vezes perco oportunidades, por ser assim. Sou muito perfecionista e, como tal, queria ter e mostrar tudo impecável. Tenho receio que os outros não o achem, que não gostem.
Ele é a pessoa que me faz mais feliz e, pensando melhor, não há mal nenhum em ele ler o que escrevo. Pelo contrário. Eu sei que ele gosta de mim. E tem de gostar tal como sou. Não tem de haver receios da minha parte. Ele conhece-me, mesmo muito bem, e acho que ler isto não vai mudar em nada. Mas... Há sempre um mas. Por ser insegura. O que em pouco ou nada me ajuda.
Às vezes gostava de ser mosca, ou de ter a capacidade de me meter no lugar das outras pessoas. No lugar dele. Para saber o que ele sente, para saber se ao "ler-me" vai mudar alguma coisa.
Por outro lado, isso não ia ter piada. No amor, o mistério, a indecisão, a dúvida, e outros, só ajudam a atear a chama.
Eu gosto de mim tal como sou, e sim, tenho orgulho em mim em no que faço. Mas é sempre importante sentir que as pessoas que amamos também sentem orgulho em nós.
Acho que é a maior motivação.

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