Já passa da uma da tarde.
Tenho estado a tentar estudar. A tentar mentalizar-me que tenho de o fazer. A primeira semana já passou e, agora sim, tenho de entrar mesmo nos eixos.
Ontem tive sociologia. A última aula da semana e, sinceramente, acho que não podia ser outra disciplina naquele horário. Faz todo o sentido. É talvez a melhor disciplina que estou a ter, com o melhor professor. Ao contrário das outras, naquelas aulas podemos falar, discutir, debater todas as ideias que temos. Ali damos matéria, sim, mas de uma forma tão prática, e que puxa tanto por nós, que acaba por se tornar fácil, e por parecer que nem estamos a ter uma "aula". Ali o tempo passa a voar, quando entramos no ritmo. Ali é-nos possível refletir, ao contrário do que se faz nas outras, em que somos obrigados a "decorar", em vez de dar asas à nossa inteligência. Nas aulas de sociologia criamos a nossa personalidade, criamos opiniões e ideias, debatemos uns com os outros. E isso é tão importante. Ali sinto que estou a preparar-me para a vida. Sei que vai ser útil. É, talvez, mais útil apenas uma aula de sociologia, do que um ano inteiro de História.
Retiro tanto daquelas aulas, e daquele professor, que saio da sala de aula a sentir-me mais completa e a sentir que cresci enquanto pessoa.
Ali aprendemos a importância da oratória, do debate, das ideias. A importância de termos uma opinião, construída por nós, acerca das coisas que se vão passando à nossa volta, e connosco. Aprendemos também a importância da contradição. Do choque de ideias. Das diferentes opiniões.
Falamos sobre movimentos sociais, causas sociais, sobre a sociedade.
"A contradição faz parte do movimento", como diz o meu professor. Aprender a jogar pacificamente com a contradição é necessário. É essencial saber ouvir quem tem opiniões diferentes das nossas. Quem pensa diferente. Evoluir também significa mudar, alterar. A ouvir os outros, é-nos mais fácil desenhar as nossas crenças. O choque de ideias e opiniões é o que torna as mesmas mais credíveis e fortes.
Melhor que tudo, é sentir que o meu professor está ali, a dar-nos aulas, não para nos moldar com as ideias dele, mas para nos ajudar a pensarmos por nós próprios.
"A mudança somos nós".

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