domingo, 31 de janeiro de 2016

Ser tua namorada


Um dia vais perceber que quero o teu bem. Vais perceber que quero o melhor para ti, tal como quero para mim (ou mais ainda). 

Um dia vais dar valor e vais perceber que sempre quis o teu melhor. Vais perceber que ser tua amiga, e tua namorada, implica não só estar do teu lado sempre, como também aparar as tuas quedas. Evitá-las. 

Ser amiga, e namorada, não significa estar sempre lá com um sorriso, um "sim" ou uma festinha nas costas e ser sempre positiva. Isso não é ser boa namorada. 

Ser tua amiga, e tua namorada, implica ser realista, evitar desilusões, proteger-te, abrir-te os olhos, dar-te as mãos e também saber dizer "não". Isso sim, é ser uma boa namorada, que se preocupa verdadeiramente contigo e que só quer o teu bem. 

Até posso errar quando tento abrir-te os olhos. É normal. Não sou perfeita e erro. Mas tentei abrir-tos porque achei que era preciso e que era o que estava correto. Por mais que me possa enganar, isso só mostra que realmente me preocupo. E que não estou apagada da tua vida. Se concordasse com tudo, se não te desse palpites nem te desse a minha opinião, aí sim, era uma namorada sem o mínimo interesse em ti. Mas eu não sou assim. Pelo contrário. Quero o teu bem - e o nosso também, claro -, e isso implica ter os pés assentes na terra, ser realista. 

Às vezes é preciso ouvir o não. Às vezes o melhor não é termos ao nosso lado um alguém que esteja sempre de acordo connosco e que não se manifeste em relação a nada. O melhor, na minha opinião, é termos ao nosso lado alguém com vontades próprias, com boas intenções e que saiba quando dizer um "não" ou quando nos deve chamar à atenção.
 
Sim, é verdade que dá jeito e gostamos de ter um alguém ao nosso lado que nos diga sempre "sim, concordo", "sim, tens razão", "sim, tu consegues", "sim, é possível", "sim, claro que dá" - é bom quando não somos nem nos sentimos contrariados, sentimos que estamos sempre bem, e isso dá-nos confiança (apesar de ser uma falsa confiança). Mas isso não é ser realista. Pelo contrário. É não ter noção das coisas. Também precisamos, nos momentos certos, de um alguém que nos chame a atenção, que nos leve a ter noção de que estamos errados, que nos abra os olhos. 

Isso é amor, é preocupação e é dedicação. É querer o teu bem.
 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Dias


Nove da noite.

Apenas três horas de sono na noite passada, um teste de história, trabalho de sociologia, estudar, ginásio, vir a pé para casa, estar com o namorado e fazer os preparativos para a festa de amanhã. Pois é, estou de rastos

O mundo gira muito depressa e, ultimamente, os dias têm passado a correr. Ando numa correria imensa. Por dentro e por fora. São testes, aniversários, confusões e uma data de ideias a borbulhar na minha mente.

Tempo que é preciso... Não há. Tem dado sempre para fazer tudo, mas é pouco e fica apertado. 

Quero fazer tanta coisa, mas tenho tão pouco tempo. Quero fazer tudo ao mesmo tempo. Quero pôr em prática um turbilhão de coisas. Mas o tempo... Esse, não ajuda. 

Nestes dias, com tantos testes, torna-se complicado vir aqui escrever todos os dias. Mas farei os possíveis para o conseguir, e para escrever algo interessante. Agora... Vou dormir, que a minha noite passada foi uma miséria (3 horas de sono para mim não são nada).
   

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Escrever


"Escrevemos para ser o que somos ou para ser aquilo que não somos. Num e noutro caso buscamo-nos a nós mesmos. E se temos a sorte de nos encontrarmos - sinal de criação - descobriremos sempre que somos um desconhecido"

- Octavio Paz, em "Fernando Pessoa, o desconhecido de si mesmo"

Buscarmo-nos a nós mesmos é talvez das mais difíceis tarefas que temos nas mãos. É também das mais hilariantes e entusiasmantes. É um ciclo eterno da vida. Nunca nos conhecemos totalmente mesmo que, por momentos, pensemos que sim. Criarmo-nos e descobrirmo-nos é o labirinto mais encantador, assustador e complicado que enfrentamos ao longo da vida. Se não tentarmos conhecer-nos, e tentarmos ser melhores, quem o fará por nós? 

"Nós damo-nos ao outro, para nos encontrarmos a nós"
 
Escrever dá-nos aos outros. Partilhamo-nos a nós mesmos quando escrevemos. Encontramo-nos nesse ato. Vamo-nos encontrando. Escrever ajuda-nos a organizar por dentro tudo o que se passa ou vai passando connosco. Escrever leva-nos a "pôr em pratos limpos" aquilo que, por vezes, não conseguimos expressar bem ao falar, nem ao pensar. Escrever faz-nos divagar e perceber o que vai dentro de nós, o que nos deixa bem ou menos bem. Sermos criativos ajuda-nos ainda mais. Percebermos os nossos limites e todas as nossas capacidades faz-nos ter noção de nós mesmos e, a partir daí, lidamos com os outros mais facilmente. 

Somos eternos desconhecidos a nós mesmos, por lidarmos com diferentes pessoas e diferentes meios. Somos uma constante mudança, num labirinto que não tem fim. Somos a incógnita mais bela que conhecemos (ou tentamos conhecer) e o mistério mais bonito que temos nas mãos. Somos a eterna procura. 

Cada um de nós tem valor, só pelo simples facto de Ser, de existir. Cada um de nós tem uma missão, que é percorrer este labirinto. Cada um de nós tem as oportunidades que quiser ter, e faz da vida o que quiser dela, caso se esforce para isso. Temos tudo nas nossas mãos.
 

Planos


Passado o fim de semana (que passou a voar) e a segunda feira, e depois de trabalhos, testes, estudos, problemas com a internet, discussões, presidenciais, momentos bons e menos bons, planos, e também alturas de "preguicite aguda", aqui estou eu de novo para escrever (finalmente!). 

Desde o início do ano que ainda não tinha ficado mais de dois dias sem vir aqui. E que falta que isto me faz! Faz-me tão bem vir aqui escrever, dar asas àquilo que vai na minha cabeça. É como que um esconderijo onde me resguardo, e um alguém que me ouve, mesmo sem ouvir. Aqui, além de escrever o que sinto, penso, e o que me vai na alma, partilho aquilo que sou e aquilo que sinto e se passa à minha volta. Faz-me tão bem vir aqui que não via a hora de arranjar este tempinho. 

O blog ajuda-nos na construção do nosso "eu". Ajuda-nos a perceber o que somos e a expressar o que vai dentro de nós. Aqui, temos leitores e seguidores que, mesmo sem nos conhecerem, partilham connosco as suas histórias e estão sempre dispostos a deixar uma palavra de carinho, com ou sem uma observação. São esses que dão ainda mais sentido ao blog e que nos fazem sentir que não estamos sozinhos - em nenhuma situação.
Nestes dois dias que passaram, foram muitas as ideias que tive e os temos que surgiram para vir para aqui expor as minhas opiniões e mostrar o meu ponto de vista. Contudo, às vezes o tempo passa mais rápido do que queremos e, quando damos conta, já se foi. 

Hei de ter tempo passar falar de tudo isso.

Além de tudo o que referi no início, que acabou por me tirar tempo, faltou referir as preparações para o aniversário do meu irmão (já faz 10 anos e eu já me sinto cota ao lado dele), a máscara que ele decidiu inventar para o carnaval e que, como é muito criativo, decidiu que tinha de ser tudo feito à mão - e como é óbvio, sobrou para mim -, e ainda o namoro (sim, exige muita disponibilidade).

Por hoje, apesar de ter escrito pouco, acabo o dia de consciência tranquila e com a noção que estou no caminho certo. Com a noção de que a pessoa que sou hoje, é exatamente a pessoa que quero ser (claro, com uns ajustes).

Nos próximos dias espero conseguir partilhar aqui alguns dos temas que têm estado acesos no meu dia-a-dia e na minha cabeça. 
  

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ontem

 
Sabem o dia de ontem? Acabou pior ainda do que estava.

O dia de hoje? Não está a ser melhor. Por enquanto. É meio dia e quarenta, e tenho esperança que melhore. 

Ontem chorei tanto, mas tão pouco, comparado com outros dias. Tenho a noção de que começo a saber lidar com as situações. Quando se tornam repetitivas, temos tendência a aprender. A perceber como devemos reagir. Mesmo parecendo que acabamos sempre por reagir da mesma maneira, não é assim. 

Há uns tempos, jamais conseguiria ir dormir estando no estado em que estava. Ontem, eu fui deitar-me e dormir. Há uns tempos, eu chorava tanto, que ficava com dores nos olhos, e não conseguia adormecer. Ontem, eu chorei, mas menos. Há uns tempos, eu só conseguia descansar depois de ter tudo - ou quase tudo - resolvido. Ontem, eu deixei para hoje. Fui dormir com coisas por resolver. Com a minha cabeça às voltas e com um milhão de porquês. 

Hoje, encarei o dia de frente. É assim que tem de ser. Por mais que custe, por mais que os porquês e as incertezas persistam.

As coisas estão a mudar, e eu só não sei se isso é bom, ou mau. Por um lado penso que seja bom, comecei a saber lidar com a situação, a pensar em mim e a perceber que tenho de me levantar sozinha. Por outro lado, talvez seja mau. Significa que se está a tornar tão rotineiro, que eu já estou habituada e já não me afeta tanto, como no início me afetava. 
  

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Estou como o tempo


Hoje estou num daqueles dias... Cinzentos. Menos bons.

Está frio, chove e as aulas pareciam intermináveis. Para não falar da constipação. Hoje estou num daqueles dias que... Só quero que acabe. 

Estou tão mole, tão sem reação, que tive a tarde toda, das 14h/15h até às 18h30, com os livros à minha frente, a tentar ganhar força para estudar, mas... Foi em vão. Não tive um pingo de entusiasmo ou vontade de os abrir e pôr mãos à obra, para estudar. Ultimamente tem sido assim. Estou cansada, e para pouco ou nada tenho vontade. 

O tempo também não ajuda. Nem o tempo, nem as pessoas. 
Sinto-me afastada, de tudo e todos. Até de mim. Nem sei bem como descrever o estado em que estou. Só sei que estou cansada. E farta. De ver as mesmas caras todos os dias, de ouvir as mesmas vozes, de fazer os mesmos caminhos. 

Só quero sair daqui, mas não sei para onde quero ir. Nem como, nem com quem. 

Sinto-me sozinha, mas por culpa minha. 

Preciso de motivação. Tenho de encontrar motivação! 

Se bem que... No fundo, eu tenho essa motivação, tenho essa vontade e esse crer, mas estou como o tempo e não sei como reagir. Não tenho vontade para absolutamente nada. 

Até para vir aqui escrever, hoje, estava difícil. Não sabia o que publicar, nem estava - ainda não estou - minimamente inspirada.  
 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Sobre a minha geração

  
Sou da geração de 90, e tenho orgulho em dizê-lo.

A vocês, que também o são, quantas vezes já vos disseram que somos uma geração perdida? Quantas vezes vocês próprios pensaram isso mesmo? Tantas e tantas vezes que nos disseram que somos inúteis e que nada de novo trazemos ao mundo. Quantas vezes ouviram a típica frase "na minha altura é que era bom"? 

Somos uma geração de transição. As coisas deixaram de ser o que e como eram. O real passou a virtual, os livros passaram a ecrãs. As coisas mudam. Tudo pode mudar. 

Tudo é assim. A vida está em constante mudança e os vencedores deste "jogo" são aqueles que, ao serem capazes de se adaptar, vingam na vida e no trabalho. A adaptação é um dos grandes trunfos, uma das grandes chaves.

Desenganem-se se, tal como a maioria, pensam que somos uma geração perdida. Desenganem-se! Mesmo. 

A nossa geração trouxe aspetos negativos, que nas gerações passadas não existiam, é certo. Mas também é certo que nenhuma outra geração fora perfeita. Houve sempre aspetos bons, e aspetos menos bons. E assim é também a nossa. Pena que olhem maioritariamente para o negativo. Dêem atenção ao que de bom temos, ao que de bom trouxemos, e às possibilidades que se criaram. Por favor, ponham os olhos nas coisas boas que esta geração trouxe consigo. Ponham os olhos nos empreendedores, nos criativos, nos inovadores e até mesmo nos atrevidos. 

Somos uma geração cheia de sonhos, uma geração cheia de imaginação e criatividade. Somos os inovadores e os apaixonados pelo novo e pelo recente. Adoramos atualizações e queremos sempre mais. Gostamos da mudança e é por ela que nos movemos. Queremos, e fazemos por conseguir. 

Sim, também há quem não se mexa. E esses, claro, "estão à rasca". Contudo, se há coisa que grande parte da minha geração já sabe é que, se queremos, temos de nos mexer. Pena que nem todos estejam dispostos ou com vontade de o fazer! Porque, digam o que disserem, hoje em dia, quem se mexe, quem "mete mãos à obra", quem se esforça e trabalha (trabalho árduo, nada de mãos beijadas), consegue atingir os objetivos e as metas que traçou (salvo raras exceções). 

Acima de tudo, somos o futuro e a rampa de lançamento para um futuro ainda mais longínquo. Queremos ser o exemplo. Queremos ser a mudança, claro, positiva. Queremos contribuir para a evolução, e não para a destruição. Queremos reverter os problemas que as gerações passadas nos deixaram de herança. Queremos que a geração seguinte continue um trabalho que nós desenvolvemos, e que saiba como o fazer. Queremos passar valores, porque esses, por mais que não pareça, continuam a existir e a ser respeitados. 

Não queremos que o essencial passe a acessório. Pelo contrário. Não queremos desiludir e queremos vingar no mundo. Não queremos ser os "perdidos" ou a "geração rasca" como tantos nos quiseram carimbar. Não queremos ser a geração desinteressada (imagem que muitos tentam passar). Não queremos ser a geração que só tem duas saídas: a saída de Portugal ou o desemprego. Não queremos ser os perdidos. Não queremos ser os coitadinhos.

Por enquanto somos apenas jovens. Jovens que lutam pelo futuro (o próprio e o da humanidade), e que sonham. 

Por enquanto, somos os sonhadores. Ainda pouco (apesar de muito) realizámos. Mas temos tempo. Estamos no bom caminho. Talvez, no futuro, nos chamem de concretizadores.  
 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Amar


“Amor não se conjuga no passado, ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente.” 
 
― Fernando Pessoa
 
Como eu adoro Fernando Pessoa! Como me faz divagar e pensar! Tão bom haver autores, poetas, escritores, cantores, pintores... Artistas. Artistas capazes de mexer connosco, de despertar algo em nós, bom ou mau, mas algo. 
Estou a estudar Fernando Pessoa na escola. E estou fascinada. Ao contrário da grande maioria dos meus colegas. Não os rebaixando, gostos são gostos, mas perdem tanto ao não conseguirem apanhar a essência de Fernando Pessoa, ao não conseguirem gostar dele. 
Esqueçamos a obra, esqueçamos a vida dele ou os exames que temos de fazer no final do ano! Esqueçamos o óbvio, e prestemos atenção ao que de bom Fernando Pessoa nos transmite. Fascinemo-nos! Por uma escrita que tanto tem para nos dar, que nos dá asas para voarmos. 
  

domingo, 17 de janeiro de 2016

Desabafos


Tenho tanto dentro de mim, e ponho tão pouco cá para fora. 

Mesmo parecendo muito, fica a faltar tanto.

E por mais que tente expressar-me por completo, fica sempre algo por dizer ou escrever. 

Dentro de mim há sempre uma enorme rebelião de pensamentos. Pensamentos, sentimentos, experiências, desabafos, ou algo mais. Sou um mar agitado de palavras. E poucas são as que chegam a terra. 
   

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Futuro

As pessoas ainda não perceberam que tudo aquilo para o qual eu me esforço, eu consigo. Ainda não perceberam que com esforço, empenho e dedicação, tenho conseguido tudo o que sempre quis. Tudo o que consegui até hoje foi à custa do meu suor e do meu trabalho. Nunca nada me foi dado de mãos beijadas e um dia espero que venham a reconhecer isso. E que esse dia chegue num futuro próximo, para que o meu esforço seja devidamente reconhecido. Felizmente, ao longo dos anos, tenho tido do meu lado pessoas que me souberam acompanhar, pessoas que me souberam e sabem aconselhar. Pessoas que, acima de tudo, são sinceras. Com elas, e comigo. Pessoas inteligentes e boas ouvintes. Boas conselheiras.

Tenho tido ao meu lado pessoas capazes de me espicaçar de maneira a chegar aos meu objetivos, a criá-los e a atingi-los. Pessoas que me têm dado conselhos sábios e que me mostram métodos eficazes para alcançar o que desejo.

De uma coisa eu tenho a certeza, se meter mãos à obra eu consigo. Eu e toda a gente.

Podem chamar-me sonhadora. Mas uma coisa eu sei. Até o posso ser, mas tento metê-los em prática. Faço por isso. Tenho feito sempre e... Digamos que tem dado resultado. Tenho conseguido. E sei que no futuro os resultados vão aparecer também, e ser reconhecidos.

Eu quero, quero muito, tenho garra e uma vontade enorme para agarrar o meu futuro e não o deixar fugir. Vou lutar por aquilo que quero e sempre quis. E as pessoas que duvidam de mim, vão abrir os olhos mais tarde. Vou conseguir tudo, e mais ainda, do que aquilo que sempre ambicionei.

Não me chamem sonhadora, chamem-me trabalhadora. 

E obrigada pela motivação.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

13 "Aproveita e afunda-te naquilo em que te perdes"

São nove e meia e eu estou no meu cantinho. 

Na cama, de pijama. 

A noite faz-se e, subitamente, os pensamentos surgem, as divagações tomam conta de mim.

Hoje não fui às aulas (eram só duas). Sinto-me doente. Só não sei bem até que ponto é mais físico ou psicológico. A doença física apodera-se mais facilmente de nós quando o psicológico está frágil e não tem sequer vontade de a combater. Digo eu, com base na minha mísera experiência. E não sei o que é pior. 

Nunca fui de faltar. Nunca mesmo. Raramente o faço. Em 12 anos de escola, devo ter faltado tão poucas vezes que não chegam a preencher os 10 dedos que temos nas mãos. Só falto quando estou mesmo doente, ou fui operada, ou algo assim. 

Hoje foi a minha mãe que, de manhã, quando veio ter comigo à cama, me disse que era melhor não ir. E eu assim fiz. E foi o melhor. Precisava disto e, agora que o dia está a acabar, sinto que precisava de mais. Estou cansada da escola, estou cansada do sítio, estou cansada da rotina, dos mesmos rostos, das mesmas conversas. Tudo me cansa e ando a ficar intolerante a tudo. Já não sou menina de continuar uma conversa quando esta não me agrada. Simplesmente viro as costas. Calo-me. Fico no meu canto. Não sou de confusões. Não gosto, mudo-me. 

Passam agora 5 minutos das nove e meia e eu além das dores que já tinha, e da febre que sentia, sinto agora um peso nos olhos. Do cansaço, e das lágrimas.

Ele passou a tarde comigo. Saiu da escola, almoçou num instante, e veio logo ter a minha casa. É bom tê-lo do meu lado. Estivemos horas juntos. A namorar, a brincar, a amuar. Tudo. Mas faz tudo parte. Foi tão boa a tarde que, quando dei por mim, já estava na hora de ele ir embora. E eu não queria. Queria que ele ficasse aqui comigo, ao meu lado. Mesmo com todas as birras, teimosias, amuos ou ciúmes. Queria que ele ficasse. Mas ele teve de ir. E foi. E passado uns minutos eu já sentia falta dele. Longe um do outro, parece que as coisas se tornam mais complicadas. Os amuos ou as discussões são mais sérias. Não temos o calor um do outro para acalmar a situação. E assim tudo piora. 

Dizem-se coisas que não são pensadas, cometem-se injustiças e, sobretudo, acabamos por nos magoar um ao outro, e à relação. Que vai ficando com feridas. E eu admito, sim, tenho medo que as feridas piorem. 

Não quero pensar num mau cenário, mas a verdade é que a dor psicológica é tão mais forte que a dor física. Magoa-me muito mais ouvir certas coisas (injustas) da parte dele, do que estar doente e cheia de febre. Disso nem me lembro. Até porque posso resolver isso muito rápido, tomo um ben u ron e está resolvido. Nas relações as coisas não são assim tão fáceis (nem de perto nem de longe). 

Fico tão mal quando me dizem coisas injustas, quando me dizem coisas que não mereço ouvir. Sim, eu sei que não as mereço ouvir. Tenho consciência daquilo que faço e daquilo que sou. E dói, principalmente quando essa coisas vêm das pessoas de quem mais gostamos. Quando damos tudo de nós próprios para fazer o bem, e acabamos enxovalhados.

Não sei o que quer isto dizer. Talvez tenha de dar mais atenção a mim mesma. Mas, tal como tenho feito sempre, vou dar um passo de cada vez, viver um dia atrás do outro, e tentar desvendar o que a vida tem para me dizer. A missão que tenho de seguir.

Agora vou descansar que o dia, apesar de curto, foi longo. E o dia de amanhã espera-me.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Sociologia

Já passa da uma da tarde.
Tenho estado a tentar estudar. A tentar mentalizar-me que tenho de o fazer. A primeira semana já passou e, agora sim, tenho de entrar mesmo nos eixos. 
Ontem tive sociologia. A última aula da semana e, sinceramente, acho que não podia ser outra disciplina naquele horário. Faz todo o sentido. É talvez a melhor disciplina que estou a ter, com o melhor professor. Ao contrário das outras, naquelas aulas podemos falar, discutir, debater todas as ideias que temos. Ali damos matéria, sim, mas de uma forma tão prática, e que puxa tanto por nós, que acaba por se tornar fácil, e por parecer que nem estamos a ter uma "aula". Ali o tempo passa a voar, quando entramos no ritmo. Ali é-nos possível refletir, ao contrário do que se faz nas outras, em que somos obrigados a "decorar", em vez de dar asas à nossa inteligência. Nas aulas de sociologia criamos a nossa personalidade, criamos opiniões e ideias, debatemos uns com os outros. E isso é tão importante. Ali sinto que estou a preparar-me para a vida. Sei que vai ser útil. É, talvez, mais útil apenas uma aula de sociologia, do que um ano inteiro de História. 
Retiro tanto daquelas aulas, e daquele professor, que saio da sala de aula a sentir-me mais completa e a sentir que cresci enquanto pessoa. 
Ali aprendemos a importância da oratória, do debate, das ideias. A importância de termos uma opinião, construída por nós, acerca das coisas que se vão passando à nossa volta, e connosco. Aprendemos também a importância da contradição. Do choque de ideias. Das diferentes opiniões. 
Falamos sobre movimentos sociais, causas sociais, sobre a sociedade. 
"A contradição faz parte do movimento", como diz o meu professor. Aprender a jogar pacificamente com a contradição é necessário. É essencial saber ouvir quem tem opiniões diferentes das nossas. Quem pensa diferente. Evoluir também significa mudar, alterar. A ouvir os outros, é-nos mais fácil desenhar as nossas crenças. O choque de ideias e opiniões é o que torna as mesmas mais credíveis e fortes. 
Melhor que tudo, é sentir que o meu professor está ali, a dar-nos aulas, não para nos moldar com as ideias dele, mas para nos ajudar a pensarmos por nós próprios. 

"A mudança somos nós". 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Dia 7. Do avesso

Ontem não escrevi. Pensei em fazê-lo mas, não sei bem porquê, acabou por me passar ao lado. 

Também, de pouco importa. O ano passado, 2015, prometi a mim mesma, no início, que todos os dias do ano iria escrever uma página, sobre o meu dia, sobre mim, sobre o que quisesse. Mas iria escrever, a cada dia que passasse. Em papel. Pouco tempo durou essa promessa. Chegou uma altura em que deixei de escrever.

Este ano não prometi nada, mas tive a vontade de voltar a escrever. Como tal, neste jogo não vai haver qualquer regra. Sempre que sentir necessidade, escreverei. Mas, escrever todos os dias, não será obrigação.

Como a minha mãe costuma dizer, quando fazemos as coisas por gosto, porque temos vontade de as fazer, acaba por ser mais fácil. E é o melhor caminho a seguir. Fazer porque gostamos, e não porque devemos. 

E escrever faz-me bem. E faz-me falta. Ajuda-me a perceber-me, e a "deitar cá pra fora" tudo o que não está bem (ou está menos bem). No fundo, o que se vai passado, e as coisas que me incomodam.

São 21h40 neste momento. Ele já foi dormir. Eu acabei de jantar, hoje estou um bocado atrasada hoje. 

Não sei bem porquê mas estes dias têm sido estranhos. Tenho-me sentido a levar com "baldes de água fria" todos os dias. Todos esses baldes, atirados de maneiras diferentes. Todos os dias têm sido uma experiência, uma lição. 

Hoje, sinto que às vezes tudo fica do avesso. Sinto que, por vezes, quando tentamos fazer as melhores coisas, quando tentamos fazer bem, é quando fazemos pior. Fica tudo de pernas para o ar e nós não percebemos bem o porquê. Sabem a sensação de querer agradar alguém? De querer que a pessoa goste, que a pessoa se sinta bem, que a pessoa esteja bem? Pois. Nem sempre isso corre bem. Talvez o melhor seja deixar andar. Não querermos tanto. Parece que, quando descontraímos, até é quando as coisas correm melhor. 

O dia de hoje foi cinzento, como, aliás, têm sido todos. Mas hoje juntou-se a isso um cansaço. Não só físico. Acho que estou estafada. A precisar de férias. Outra vez, sim. Mas fora daqui. Só levava uma pessoa.

Disse no início que não havia promessas nem obrigações em relação a este blog ou em relação àquilo que escrevo. E não há, é certo. Mas a verdade é que queria fazer disto alguma coisa. Algo. Não sei bem o quê, sinceramente. Mas algo útil. 

Talvez tenha tentado encontrar aqui "o meu esconderijo". Não que tenha algo a esconder. Pelo contrário. Porque quero partilhar. Mas não com o público que me conhece. Aqui sinto-me à vontade, e sinto que faço aquilo que gosto, assim como aquilo que quero. Não há restrições. Ponho aqui tudo o que me apetecer. Pensei em não falar deste blog a ninguém. Mas falei-lhe a ele. Acabo sempre por lhe contar tudo. Falei-lhe do blog, mas não lho mostrei. Talvez por vergonha, não sei. Talvez por insegurança. Aqui exponho-me tal como sou. Sem restrições. Escrevo o que quero, como quero, às horas que quero, acerca do que me apetecer. 

Talvez seja "estúpido" pensar assim, mas tenho algum receio e alguma vergonha de mostrar aquilo que faço aos outros. Principalmente àqueles de quem gosto. Muitas vezes perco oportunidades, por ser assim. Sou muito perfecionista e, como tal, queria ter e mostrar tudo impecável. Tenho receio que os outros não o achem, que não gostem. 

Ele é a pessoa que me faz mais feliz e, pensando melhor, não há mal nenhum em ele ler o que escrevo. Pelo contrário. Eu sei que ele gosta de mim. E tem de gostar tal como sou. Não tem de haver receios da minha parte. Ele conhece-me, mesmo muito bem, e acho que ler isto não vai mudar em nada. Mas... Há sempre um mas. Por ser insegura. O que em pouco ou nada me ajuda. 

Às vezes gostava de ser mosca, ou de ter a capacidade de me meter no lugar das outras pessoas. No lugar dele. Para saber o que ele sente, para saber se ao "ler-me" vai mudar alguma coisa. 

Por outro lado, isso não ia ter piada. No amor, o mistério, a indecisão, a dúvida, e outros, só ajudam a atear a chama. 

Eu gosto de mim tal como sou, e sim, tenho orgulho em mim em no que faço. Mas é sempre importante sentir que as pessoas que amamos também sentem orgulho em nós. 
Acho que é a maior motivação.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Dia 5. Se tens magia, não precisas de truques.

5º dia do ano.
Que dia cheio de emoções. São ainda 21h45 e já morro de sono e cansaço. As emoções cansam. Sentir tantas num só dia, ainda mais. Injustiça, traição, entrega, interesse, amor, carinho, afeto. Tantas que nem sei adjetivar todas. 
Hoje chorei, chorei muito. Há coisas que me tiram de mim e, uma delas é, sem dúvida, a injustiça. Não suporto injustiças.
A minha mãe constantemente me diz que mais tarde ou mais cedo a justiça aparece, vem ao de cima. Não sei se acredito. Mas não tenho ao meu alcance muitas alternativas, a não ser, claro, esperar e ver. Nada me resta a não ser esperar. Espero sinceramente vir a dar razão à minha mãe. Espero que se faça justiça. Porque com pequenas injustiças, por vezes, paga-se caro. E o preço já vai elevado, isto é, as injustiças já são muitas. E o meu saco está a encher, a encher, a encher... Não sei até que ponto aguentarei. Hoje explodi, mas pouco. Calmamente. Não sou de fazer grandes "escandaleiras". Gosto de resolver as coisas a bem, com calma, a falar. Não quero mal entendidos, nem desentendimentos, quero apenas uma resolução para aquilo que não está bem. 
Espero que a pessoa em questão tenha ficado a remoer no assunto, nas minhas palavras, e que pense bem. Espero, ainda, que não seja já tarde para remediar o "erro". Sinceramente, quero mesmo é que perceba o que aconteceu. E que as injustiças além de me desmotivarem, deixam-me triste e enraivecida com toda a situação. 
Sei que nem tudo pode ser perfeito nem se pode resolver. Mas se nada fizermos para mudar as coisas com que não concordamos, certamente que nada se irá alterar. Eu, aqui, estou a ter mexer os meus cordelinhos para que algo se altere. A injustiça, pelo menos. Essa, que desapareça. De vez. Tem-me incomodado, muito. 
À hora de almoço vim para casa a chover. Vim a falar ao telemóvel com a minha mãe. A contar o sucedido. E claro, como tenho andado sensível (bastante até) não contive as lágrimas. Que se lixe, era a minha mãe! Falei tudo o que tinha para falar, deitei a raiva toda (ou quase toda) cá para fora. Deitar as palavras cá para fora faz bem. Mesmo bem! E não é que... Não bastava já eu estar a chorar, também o céu o decidiu fazer?! Começou a chover. Pode parecer ridículo, ou apenas consequências, mas a verdade é que às vezes parece que o clima acompanha o nosso estado de espírito. Ou, por vezes, somos nós que o acompanhamos a ele. Estava, naquele momento, tão em baixo, que não havia sol algum. Só chuva, e um vendaval que me ia destruindo o chapéu de chuva.
Mas o dia não foi mau. A tarde compensou. Realmente, ter connosco pessoas que nos amam, que cuidam de nós, é um grande alicerce. Felizmente tenho alguém comigo capaz de me fazer esquecer tudo. Capaz de me fazer ver, até, o sol. É tão, mas tão bom, que durante umas horas não mais pensei no assunto. Até essa pessoa chegar, não tinha qualquer apetite, não queria almoçar e estava sonolenta. Depois, obrigou-me a comer (para meu bem, claro), mas no meio de brincadeiras e sorrisos, nem se tornou uma obrigação. O meu estado de espírito alterou de imediato e claro, a fome apareceu. Impressionante como um sorriso é capaz de mudar tanta coisa. 
Sou uma sortuda por ter ao meu lado pessoas que me amam, e por amar. Essas pessoas sim, merecem o meu tempo, as minhas palavras, os meus sorrisos e, até, as minhas lágrimas. As outras... São as outras. Tenho de começar a pensar naquilo que me faz bem, e a pôr "à beira do prato" aquilo que não faz. 
E pensar também que as injustiças se ultrapassam. Acredito em mim. E tenho pessoas que acreditam também. Sei que vou conseguir passar por cima. Mas sim, preferia que tudo fosse feito de forma correta. Sem injustiças. Mas a minha mãe também me diz que injustiça vai haver sempre, seja no que for. Há que saber fazer ver às pessoas que as estão a cometer, que não estão a fazer o correto, não estão a ser justas. Para que tentem mudar isso.

Dia 4

E assim se passou mais um dia.
Parece que ainda ontem começou o ano, mas 4 dias já se passaram.
Pensei que o dia de hoje ia começar mal. Que não ia correr bem. Estava à espera de um dia cinzento, bem cinzento e chuvoso. Mas não foi assim tanto. Surpreendeu-me.
Sim, choveu. Mas fez sol. Tanto, que não houve cinzento. Eu, pelo menos, não o vi. Tive motivos que me fizeram ver apenas o sol. Embora também tenha tido outros que me fizeram ver a chuva. 
O dia começou bem, como já disse. Ele surpreendeu-me. E é tão bom sermos surpreendidos. Sentimo-nos amados, mimados. E como é bom sentirmo-nos assim. 
Hoje percebi que o 2º período já começou, e que os exames estão cada vez mais perto, e que vou ter de me matar a estudar, e que nada vai ser fácil, e que vou ter pouco tempo para tanta coisa. E já estou farta. Se tinha saudades da escola? Acho que a resposta é mais que óbvia. Não. Simples. Afinal, alguém tinha?! Estou cansada e só hoje começou. E sou boa aluna. A minha média de 18 é para manter (ou subir). Mas estou cansada. Os bons alunos também se cansam e também têm momentos que se sentem fartos, assim como não têm vontade de ir à escola. Estou cansada dos estudos, mas não só. Percebi que o secundário, além de nos orientar e preparar para o futuro, faz-nos enfrentar muitas outras coisas. Uma delas é a injustiça e, dessa, estou mais que cansada. E farta. Tão farta que já não aguento. Ao ponto de me sentir a encher, cheia, e quase a rebentar. Mas isso são assuntos que, certamente, ficarão resolvidos. Amanhã, espero.
Neste preciso momento é meia noite. Dia 5, portanto. Bolas! Tenho ainda um trabalho para acabar (coisa pouca), e nem imaginam a vontade que tenho para o fazer. Pouca, exatamente. 
Acho que me vou "pôr a andar", e meter "mãos à obra".
Do dia de hoje tirei uma lição, ou várias. 
Sozinhos não somos ninguém, nem vamos a lado nenhum.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

1 e meia da manhã, 4 de 366

Está de noite. Já passa da 1 da manhã e amanhã (hoje) é o primeiro dia de aulas do segundo período. Não consigo dormir. Não consigo parar de pensar. Só consigo chorar e, mesmo quando tento não o fazer, as lágrimas correm-me pelo rosto.
Detesto fazer-me de vitíma, detesto falar aos outros dos meus problemas. Sou mais daquelas pessoas que gosta que sejam os outros, aqueles que realmente me conhecem (ou deviam conhecer), a perceber que não estou bem. Mas nem sempre isso acontece e, sinceramente, é das coisas que me deixa pior. 
Neste momento, na minha cabeça só ouço insultos, nomes, críticas, não me lembro de nada bom e marcante que me tenham dito nestes últimos dias.
Há quem me chame chorona, tudo pelo facto de o Diogo Piçarra me ter chamado isso, mas não me considero como tal. As pessoas podem pensar o contrário, mas eu só choro quando alguma coisa não está mesmo nada bem. E muito menos sou rapariga de perder horas de sono a chorar. A noite de hoje está a ser uma excepção autêntica. 
Não sei o que se passa. Não sei se o erro sou eu. 
Sei que não me sinto bem, nada bem, e que a pessoa que mais queria que reparasse nisso, é a que menos o tem feito. Pelo contrário, é talvez a pessoa que mais me tem deixado em lágrimas. 
Vir escrever aqui foi a única solução que encontrei. Não sei se fará alguma diferença. Talvez não. Mas faz-me falta falar ou, neste caso, escrever. Aqui sei que ninguém que conheço, ou quase ninguém, vai ler isto.
Amanhã sei que o mais provável é não acordar bem. Às 10h vou ter de sair de casa. A pé. E provavelmente vai estar a chover. Talvez isso ajude. Vou pôr os fones nos ouvidos, pôr umas músicas a tocar e, naqueles 15 minutos de caminho para a escola, vou tentar relaxar, abstrair-me, e ganhar forças. 
Ganhar forças não sei bem para quê, mas isso só o amanhã dirá. O amanhã, ou o depois.

domingo, 3 de janeiro de 2016

2016

E assim começou um novo ano.
3 páginas de um novo livro, com 366 páginas e 12 capítulos, já se passaram. E destas 3 páginas, parece que já deixei espaços por preencher. E assim começa a saga do "acabar o que podia ter feito, mas não fiz". Valerá a pena ir caminhando, e ao mesmo tempo deixar coisas por fazer? Porque é que vamos vivendo, com coisas por resolver? Porque não resolvê-las no momento certo, no dia certo? Torna-se uma bola de neve gigante, que arrastamos com o passar das páginas e com o passar dos capítulos. Não sei até que ponto aguentamos.
Já senti tanta coisa, e ainda agora o ano começou.
Esta passagem de ano não pedi desejos. Não comi passas porque não as tinha comigo. Mas comi no dia a seguir, dia 1. Porque achei que o devia fazer. 12 passas. Como tem de ser. Mas comi-as, simplesmente, sem com elas transportar 12 desejos. Seja o que tiver de ser. Aconteça o que tiver de acontecer. Este ano vou viver. Viver com o balanço e o vento que a vida me trouxer.
Este ano não tracei objetivos. A não ser a continuação daqueles que sempre tive. Porque sei bem o que quero. E porque nenhuma vida faz sentido se não traçarmos metas.
Objetivos não, mas este ano sei que vou transformar cada crítica numa lição, cada insulto numa arma, cada sofrimento numa proteção e, sobretudo, cada alegria num degrau para subir, sempre mais alto, à custa do meu esforço, da minha dedicação, e daquilo que eu sei que posso, devo, consigo e quero dar.
Este ano ninguém me vai derrubar. A não ser eu. Se cair vai ser por poucos minutos e, logo a seguir, vou levantar-me ainda com mais força.
Este ano não me vou deixar afetar por coisas mínimas. Cada vez que tiver vontade de chorar, ou cada vez que o fizer, eu própria vou limpar as lágrimas e gritar comigo mesma para que não o faça.
Este ano vou centrar-me numa coisa. Em mim. No que me faz bem, no que me faz feliz. Vou conseguir superar e pôr de lado o que, em vez de me engrandecer e ajudar, me deita abaixo e me enfraquece. Este ano vou ser mais forte do que tenho sido.
Vou lutar por tudo o que quero, por tudo o que preciso e sei que me faz bem. E vou conseguir. Porque vou. Porque todos conseguimos alcançar aquilo que desejamos, se fizermos por isso.
Talvez este ano também dê lições a certas pessoas que, com o passar do tempo, me têm vindo a fazer bem mas, por vezes, também mal. Lições ou, simplesmente, fazê-las abrir os olhos. Também espero que mos abram. Estou disposta a isso.
Este ano faço 18 anos e quero seguir o rumo certo. E quero centrar-me, acima de tudo, numa só coisa, em mim. No que me faz bem.